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Do surgimento do termo no século XIX às suas múltiplas reformulações ao longo dos séculos seguintes, o positivismo consolidou-se como uma das correntes filosóficas mais influentes da modernidade, propondo que apenas o conhecimento produzido cientificamente - verificado, empírico e racional - poderia ser considerado verdadeiro. A partir de autores como Saint-Simon, Auguste Comte e outros, a doutrina articulou uma visão de mundo que rejeitava explicações teológicas e metafísicas, defendendo que o progresso humano dependia exclusivamente do avanço científico e da organização social fundada em leis tão rigorosas quanto as da natureza. Esse impulso atravessou fronteiras disciplinares, influenciando a sociologia nascente, o direito e outros campos que buscaram aplicar métodos científicos à vida social. Mas o positivismo também encontrou resistências, especialmente a partir do século XX, quando críticas sobre reducionismo, cientificismo e limitações metodológicas apontaram para as tensões de uma visão que pretendia explicar o mundo apenas por fatos observáveis. Convidamos Francisco Quartim de Moraes para explorar a formação e as transformações do positivismo, suas ramificações contemporâneas e, sobretudo, seu impacto profundo no Brasil, desde sua influência na arquitetura intelectual da República até os ecos persistentes dessa tradição no pensamento político nacional. Instagram: @iclesrodrigues Adquira o curso História: da pesquisa à escrita por apenas R$ 49,90 CLICANDO AQUI
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A Operação Brother Sam foi um plano organizado pelo governo dos Estados Unidos em 1964 para apoiar uma eventual intervenção militar no Brasil, em meio à crise política que culminou no golpe contra o presidente João Goulart. A iniciativa previa o envio de combustível, munições e outros recursos, além da possibilidade de mobilização de forças navais estadunidenses, caso os militares brasileiros que se opunham ao governo enfrentassem resistência prolongada. Embora o apoio logístico planejado não tenha sido plenamente executado, a operação evidencia o interesse do governo de Lyndon B. Johnson em influenciar os rumos políticos brasileiros no contexto da Guerra Fria. Décadas depois, o episódio continua sendo importante para compreender as relações entre Brasil e Estados Unidos, o papel das potências estrangeiras em crises políticas e os limites da soberania nacional diante de interesses geopolíticos. Convidamos Ricardo Duwe para analisar os objetivos e a organização da Operação Brother Sam, o envolvimento dos Estados Unidos no golpe de 1964 e as relações entre interesses geopolíticos e disputas políticas internas. A partir desse episódio, discutiremos também o que a história pode ensinar sobre a democracia brasileira, os riscos de intervenções estrangeiras e as ameaças às instituições democráticas no cenário político atual.
Em 1381, a Inglaterra foi palco de uma das mais importantes revoltas populares da Europa medieval, em um contexto marcado pelos efeitos da Peste Negra, pelas tensões sociais e pelo aumento da pressão fiscal sobre a população. A imposição de novos impostos para financiar as campanhas militares da monarquia, somada às tentativas de controlar os salários e restringir a mobilidade dos trabalhadores, alimentou o descontentamento de camponeses, artesãos e outros setores da sociedade. A revolta ganhou força no sudeste da Inglaterra e avançou até Londres, onde os insurgentes ocuparam partes da cidade, destruíram propriedades e desafiaram diretamente as autoridades do reino. Liderados por figuras como Wat Tyler e John Ball, os revoltosos apresentaram reivindicações que envolviam a redução das obrigações servis, a contestação dos privilégios senhoriais e a transformação das relações sociais. Apesar da repressão que se seguiu à morte de Wat Tyler e ao recuo das concessões prometidas pelo rei Ricardo II, a Rebelião de 1381 revelou as tensões de uma sociedade em transformação e os limites da ordem feudal inglesa. Convidamos Bruno Marconi para analisar as causas e o desenvolvimento da Rebelião de 1381, as reivindicações dos insurgentes, o papel da monarquia e dos senhores feudais na repressão ao movimento e o significado dessa revolta para a história social e política da Inglaterra medieval.
Carlos Lacerda foi um dos personagens mais influentes e controversos da política brasileira do século XX, construindo uma trajetória marcada por mudanças ideológicas profundas, atuação intensa no jornalismo e participação em algumas das principais crises políticas do período. Filho de uma família ligada à política e inicialmente próximo do comunismo, tornou-se um dos mais destacados opositores de Getúlio Vargas, utilizando a imprensa como instrumento central de sua atuação política. Fundador da Tribuna da Imprensa, deputado federal e posteriormente governador da Guanabara, Lacerda esteve envolvido em episódios decisivos como a crise que antecedeu o suicídio de Vargas, as articulações contra a posse de Juscelino Kubitschek e o movimento político que levou ao golpe de 1964. Sua relação com o regime militar, porém, rapidamente se deteriorou, levando-o posteriormente à oposição e à articulação da Frente Ampla ao lado de antigos adversários, como João Goulart e Juscelino Kubitschek. Convidamos Mário Magalhães, autor da biografia Lacerda: Coração de Tempestade, para analisar a trajetória política e jornalística de Carlos Lacerda, suas transformações ideológicas, sua participação nas grandes crises da República brasileira e as contradições de um personagem que esteve simultaneamente no centro da oposição a diferentes governos e dos acontecimentos que transformaram a política brasileira no século XX.
A Guerra Civil Espanhola, iniciada em 1936, colocou em confronto o governo republicano e as forças nacionalistas lideradas pelo general Francisco Franco, em um conflito marcado pela intensa polarização política e pela intervenção de potências estrangeiras. A vitória franquista em 1939 deu início a uma longa ditadura que combinou repressão política, perseguição aos opositores, censura e controle das instituições, ao mesmo tempo em que buscava consolidar uma nova ordem política e social na Espanha. Durante as décadas seguintes, o regime passou por diferentes fases, enfrentando o isolamento internacional do pós-guerra, aproximando-se posteriormente dos Estados Unidos e das potências ocidentais no contexto da Guerra Fria e promovendo transformações econômicas que alteraram profundamente a sociedade espanhola. A morte de Franco, em 1975, abriu caminho para a transição política que levaria ao restabelecimento da democracia, mas o legado da ditadura permaneceu presente na política, na sociedade e nas disputas de memória da Espanha. Convidamos Francisco Carlos Palomanes Martinho para analisar a formação e o funcionamento da ditadura franquista, seus mecanismos de repressão e controle, as transformações políticas e econômicas ocorridas ao longo de suas diferentes fases e o processo que levou ao fim do regime e à transição democrática espanhola.
A invenção da fotografia, no século XIX, transformou profundamente a maneira como as sociedades registravam, documentavam e representavam o mundo. O desenvolvimento de técnicas como o daguerreótipo e, posteriormente, de processos que tornaram a produção de imagens mais rápida e acessível, fez com que a fotografia deixasse de ser uma experiência restrita a poucos especialistas e passasse a ocupar um espaço cada vez maior na vida cotidiana. Ao longo dos séculos XIX e XX, a fotografia foi utilizada para registrar acontecimentos históricos, retratar pessoas e sociedades, produzir conhecimento científico, documentar guerras e conflitos e também como forma de expressão artística. A evolução tecnológica modificou continuamente a maneira de produzir e consumir imagens, levando da fotografia analógica à digital e, mais recentemente, às possibilidades oferecidas pela inteligência artificial, que voltam a colocar em discussão os limites entre registro fotográfico, manipulação e criação de imagens. Convidamos Rafael Verdasca para analisar a história da fotografia, desde suas primeiras técnicas e processos até as transformações provocadas pela fotografia digital e pela inteligência artificial, discutindo também como essas mudanças alteraram nossa relação com as imagens e com a própria ideia de representação da realidade.