
Show Notes
Professora Associada (D.E.) lotada no Departamento de Biomorfologia e cedida ao Departamento de Biotecnologia do ICS-UFBA. Possui Bacharelado em Odontologia pela FO-UFBA com bolsa PET (SESu/MEC, 1998 a 2002). Possui Mestrado em Ciências Morfológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Doutorado em Imunologia pela UFBA. Em caráter de estágios de Doutorado Sanduíche e de Pós-Doutorado, desenvolveu projetos de Oncologia Molecular em câncer de cabeça e pescoço no AC Camargo Cancer Center.É membra da "Rede Brasileira de Mulheres Cientistas" (RBMC). Atua como liderança assessorando agências de fomento, Pró-reitorias e outras instâncias de apoio à produção acadêmica no acolhimento, letramento e construções políticas envolvendo implantação de Ações Afirmativas e clausulas de equidade de Gênero para reparação de editais de pesquisa e outros contextos de competitividade científica. Possui habilitação formativa para compor Bancas de Heteroidentificação. É mulher cis negra parda de ancestralidade Quilombola. Mãe de Valentina sob licença maternidade em 2014.
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O 4º episódio do podcast Axé das Plantas é sobre a Jurema, sua dimensão sagrada e cultural, sua botânica, sua química e o interesse farmacológico que desperta, especialmente pelos efeitos de alguns de seus compostos no sistema nervoso. E, transversalmente, vamos conhecer mais sobre a presença indígena na Caatinga, seus enfrentamentos e suas formas de resistência. A jurema é uma planta que desperta interesse de estudo na farmacologia dada a presença em altas concentrações do composto dimetiltriptamina – ou DMT, uma molécula natural que aparece tanto nas plantas, quanto em nós, animais. Essa substância psicodélica é encontrada nas cascas e nas raizes de algumas espécies, o que despertou o interesse de estudos recentes nas universidades brasileiras pelo seu potencial no tratamento de doenças como a depressão.
O juá ou juazeiro é uma espécie nativa e não endêmica do Brasil e se espalha do Piauí até o norte de Minas Gerais. Cientificamente é chamada de Sarcomphalus joazeiro, antes como Ziziphus joazeiro.Na caatinga, especialmente as pessoas mais velhas, se orgulham de mascar um pouco das folhas do juazeiro para tratar incômodos, inflamações ou mesmo garantir a higiene. Do ponto de vista da farmacologia, já se identifica enorme potencial da planta na atividade antimicrobiana.Estudos mostram eficácia por alto teor de saponinas, que compostos tensoativos que conferem propriedades detergentes de baixa abrasividade, ideais para uso em cremes dentais e produtos de higiene oral. Os metabólitos secundários da planta são capazes de matar microrganismos patogênicos e exercem efeitos anti-inflamatórios, o que os torna muito eficazes na prevenção e no combate à gengivite e sapinho.
Mandacaru, coroa ou cabeça de frade, facheiro, xique-xique são as cactáceas, fazem parte do imaginário do Nordeste Brasileiro e são espécies centrais na caatinga. Espécies adaptadas ao clima semiárido, essas plantas sabem se proteger com seus espinhos, mas também com a capacidade de perder as folhas nos períodos de estiagem e armazenar água abundante em seu caule. A população do sertão se identifica, se espelha e se irmana com as características dessa vegetação. Para bem viver na caatinga, é preciso conviver com seus desafios e saber armazenar bem água e alimentos. E nas horas de escassez, as cactáceas nutrem corpo e mente.
Extremamente presente e marcante na Caatinga, a Catigueira é conhecida popularmente também como “pau-de-rato” ou “catinga-de-porco”, resiste ao semiárido, é a primeira a renascer quando chegam as chuvas. Ela tem sido usada amplamente na medicina tradicional, suas cascas, folhas, flores e raízes são utilizadas na forma de decocção e infusão para o tratamento de gastrite, cólica, diarreia, asma, bronquite, diabetes, inflamação, além de apresentarem atividade curativa.
A Santeria é uma tradição religiosa afro-cubana formada a partir do encontro entre crenças iorubás e o catolicismo durante o período colonial. Com elementos que dialogam com as religiões afro-brasileiras, ela preserva saberes ancestrais vivos em diferentes partes das Américas. Natural de Havana, capital de Cuba, Santos Isidro Oviedo Torre é Babalaô da Santeria e, neste interprograma, apresenta alguns dos fundamentos dessa tradição e sua compreensão sobre os orixás.