vibes em análise

POR TRÁS DA MENTIRA

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Show Notes

ninguém gosta de quem mente o tempo todo, mas quão dispostos estamos a escutar a crueza da verdade? é difícil abandonar o jogo do “me engana que eu gosto”; ainda mais com tantos filtros, deep fakes, recursos de inteligência artificial, bots e redes de manipulação. quase 90% da população brasileira admite já ter acreditado em conteúdos falsos. e ainda tem os conteúdos que não são falsos, mas são descabidamente tendenciosos, e a gente vai comprando ou rejeitando essas inverdades, e fica difícil habitar o meio termo. como sabemos, isso nos leva a polarizações radicais e muita repressão e negação da verdade. parece que ficamos bons demais em criar mentiras de verdade. narrativas que são tão convincentes porque nos dizem o que queremos ouvir, nos mostram aquilo em que queremos acreditar... e aí, temos outra alternativa além de topar tantas mentiras? nesse episódio, contamos com a participação de Leandro Karnal, historiador, professor, escritor e um dos maiores e mais respeitados pensadores brasileiros contemporâneos. e também com Tomás Chiaverini, jornalista, escritor e criador do aclamado podcast Radio Escafandro.

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**apresentação:** André Alves Lucas Liedke

refs. O Futuro de uma Ilusão — Freud

VIBES: ARTIFICIALIDADE AUTÊNTICA

Lying: Moral Choice in Public and Private Life — Sissela Bok

memes & trends em análise: "Romantize a sua Vida"

Doppelganger: A Trip into the Mirror World — Naomi Klein

Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-político — Castro Rocha

O Pastor, Rádio Escafandro — Tomás Chiaverini

A Pós-Mentira — Tomás Chiaverini

Não existem fake-news: só mentira em massa, Tales Ab’Sáber

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Oct 15, 2026

uma angústia pode caber num desenho. e o desejo se inscrever em um poema. o luto pode encontrar voz na música a solidão se revelar numa fotografia… e um trauma se desdobrar em “pura ficção”.

Sep 18, 2026

você já escutou aquela expressão “quem ama cuida”. mas o que seria exatamente “cuidado” nos dias de hoje? um tempo em que a gente dispõe de tantas ferramentas de controle e de vigilância sobre a vida, especialmente a vida dos outros. supostamente… na melhor das intenções.

Jun 4, 2026

“...mas e o Brasil, hein? será que tem jeito?” - a frase é antiga, quase banal, conhecida até demais. ser brasileiro ou brasileira, ao longo da história, sempre foi ter um apetite insaciável por falar mal dos outros brasileiros. segundo o estudo Brasil no Espelho, da Quaest com a Globo, 51% dos brasileiros diz que valoriza o nosso povo; mas um em cada cinco, não valoriza. dá para entender o conflito; afinal, o Brasil oferece, doses cavalares de desespero e esperança, antipatia e empatia, brilho e dor, orgulho e vergonha. em resumo, open de ambivalências. e daí vem 2026, esse ano que nos serve a Copa do Mundo de Futebol da FIFA e as Eleições, eventos que são, tradicionalmente, possibilidades de euforia e de fratura, de celebração e de decepção. acontecimentos que, mais uma vez, nos fazem sentir muito orgulho e muita vergonha nacional. a gente tem assistido a essa turbulenta trama de orgulho e vergonha todos os dias, na vida e na internet. e é nessa dança entre antagonismos que o novo tem emergido. de fato, tem algo diferente no ar. primeiro, porque mesmo diante do tumulto permanente, 85% dos brasileiros sentem orgulho do Brasil (um dado da pesquisa Brasil no Espelho do ano passado). segundo porque, nas últimas décadas, nosso país viveu conquistas que nos fizeram inclusive apostar em uma espécie de superação do viralatismo. e diminuir o nosso profundo temor de ser uma “grande pátria desimportante”, como cantava o Cazuza. é por tudo isso que a gente vem conduzido um estudo chamado ORGULHOS NACIONAIS, uma investigação sobre as novas paixões, ritmos, arquétipos e identificações que têm transformado as percepções, as relações e o consumo dos brasileiros. se uma das frases mais famosas da nossa cultura nos diz “Brasil, mostra a sua cara!”, a nossa pergunta-chave nesse estudo e nesse episódio é: blza, mas qual delas?

May 14, 2026

o trauma é inassimilável. será que é por isso que as buscas globais por essa palavra no Google triplicaram entre 2015 e 2025? estamos tentando entender melhor o que é trauma… e também o que não é trauma? desde sempre, a noção de trauma criou um campo muito vasto na literatura, na arte, na cultura popular, e hoje, obviamente, na internet. o termo entrou com tudo na gramática do mal-estar contemporâneo, um tempo em que o sofrimento muitas vezes não é só narrado, ele é compartilhado, performado e estilizado. e existe uma vida livre de trauma? possivelmente não. mas será que estamos assim todos tão traumatizados? o conceito se tornou um referencial cultural dominante, uma tentativa de fazer com que a nossa dor seja escutada e levada a sério em um mundo que dá mais valor ao que é certificado por um diagnóstico. só que, quando tudo é rotulado, empacotado e até vendido como trauma, como fazer para distinguir e atravessar as verdadeiras experiências traumáticas?

Apr 30, 2026

durante muito tempo, discutimos a tecnoadicção como um fenômeno ligado sobretudo a mídias sociais, videogames e pornografia. mas a lógica da compulsão digital vem se deslocando cada vez mais para outros domínios: as finanças gamificadas e cheias de cashbacks, as apostas e mercados de previsão, os chatbots e interfaces de IA sem os quais se tornou impossível viver, os aplicativos de trading e, para muita gente, o irresistível jogo dos cupons e das compras online. são mundos híbridos entre informação e entretenimento em que parece que a gente está sempre à beira de criar algum tipo de dependência. fissura. abstinência. círculo vicioso. acesso hiperfacilitado. falta de regulação. um sistema de recompensas sequestrado. sacrifícios e perdas em tantas áreas da vida. será que ainda tem como escolher usar… ao invés de simplesmente se sentir usado?.. e não sentir que a sua autonomia individual está sendo colonizada? alguns usuários se excedem mais que outros, mas a verdade é que o excesso está programado no próprio modo de uso. são arquiteturas que transformam as necessidades humanas legítimas em circuitos de engajamento economicamente exploráveis.

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